- Neide, me conte como você se interessou pelo João?
- Então, menino, ele tinha um papo cabeça, é desses
que a gente fala que tem cultura. Me interessei mais
pelas palavras nunca antes escutadas- paliativo, edipiano
cônjuge,espectro, sem contar aquela coisa que me dizia ser
metáfora ou em sentindo metafórico ou metaforicamente falando.
No fim das contas, era apenas som mesmo.
- E o contato, Neide, o contato físico?
- Ah, nisso ele era ótimo. Só não gostava muito, inicialmente,
quando ele queria comer meu cu, mas logo me dediquei e peguei
gosto pelo negócio. Ele me chupava todinha, polegar a polegar,
ui! me arrepio só de pensar. Dedicava sua língua inteiramente a
esse corpinho que Deus me deu. Depois de realizada a liturgia,
aí o João me devorava. E eu a ele. Juntos, mais parecíamos
selvagens, uma total disputa por território, um campo de batalha,
o exército se posiciona estrategicamente.
- E o amor?
- Pedro, por que você não larga o cigarro e vem cá comer do fruto proibido?
Marcelo Burmann.

3 comentários:
Isso me provoca um tesão intelectual e sexual; mais o segundo do que o primeiro.
ADOREI
Very nice.
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