segunda-feira, 16 de abril de 2012

Manifesto Pela Poesia e Pelo Poeta


Explanemos. Benjamin escreve, em algum lugar, que o poeta perdeu sua aura, termo este cunhado de Baudelaire. É provável que o poeta tenha perdido sua aura, mas a poesia não. Ela é tão velha quanto à humanidade, prática milenar: o que não sentir sentado numa cadeira de balanço na manhã fresca? E o barulho das águas? E a bela mulher, ou mesmo a feia? E as palavras sussurradas aos ouvidos? Afora tudo isso, a poesia está impregnada no nosso cotidiano, por mais que nossos olhos estejam vendados.
O que nos importa, entretanto, é poesia-palavra, toda dilapidada em versos, um poema. O poeta perdeu sua aura, concordemos com Benjamin. Em que sentido? No sentido de toda uma tradição de contar histórias, de relatá-las, estar sucumbindo pelo ralo. Nos adverte Álvaro de Campos que o poema moderno é a vida sem poemas.

Pois bem, falemos um pouco de Literatura. Acreditamos que ela tem uma maneira que lhe é peculiar de transmitir a realidade. A linguagem literária busca reconstruir ou reconstituir o mundo que nos rodeia. Falar artisticamente sobre um copo é diferente de falar dum copo. É recriá-lo ou lhe juntar os cacos.

Os rapazes nos chamarão de metafísicos. A ele chamaremos de críticos infelizes. E as mocinhas dirão que somos radicais. Mas é claro! Vivemos num tempo onde a barbárie tomou conta da cidade, se instaurou.

Nos permita falar da humanidade, se é que esta palavra não perdeu seu significado, sendo apenas um eco saudoso e vago. Aqui, é bem aqui que devemos dar voz ao Poeta, devolver-lhe a aura. E é bem aqui que devemos tirar a venda de nossos olhos. É somente pela poesia que vamos nos unir. É  somente ela que ligará o religioso ao sagrado, o metafísico à transcendência,o aristotélico à catarse, o erótico ao orgasmo. E é pela poesia que a nossa aldeia se transformará num lugar onde a barbárie não tem lugar. 

Dêmos voz ao Poeta! 


Marcelo Burmann


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