domingo, 22 de abril de 2012

Pedro e Neide.

- Neide, me conte como você se interessou pelo João?


- Então, menino, ele tinha um papo cabeça, é desses
que a gente fala que tem cultura. Me interessei mais
pelas palavras nunca antes escutadas- paliativo, edipiano
cônjuge,espectro, sem contar aquela coisa que me dizia ser
metáfora ou em sentindo metafórico ou metaforicamente falando.
No fim das contas, era apenas som mesmo.

- E o contato, Neide, o contato físico?

- Ah, nisso ele era ótimo. Só não gostava muito, inicialmente,
quando ele queria comer meu cu, mas logo me dediquei e peguei
gosto pelo negócio. Ele me chupava todinha, polegar a polegar,
ui! me arrepio só de pensar. Dedicava sua língua inteiramente a
esse corpinho que Deus me deu. Depois de realizada a liturgia,
aí o João me devorava. E eu a ele. Juntos, mais parecíamos
selvagens, uma total disputa por território, um campo de batalha,
o exército se posiciona estrategicamente.

- E o amor?

- Pedro, por que você não larga o cigarro e vem cá comer do fruto proibido?

Marcelo Burmann.

3 comentários:

Anônimo disse...

Isso me provoca um tesão intelectual e sexual; mais o segundo do que o primeiro.

Guto disse...

ADOREI

Cléo Paziny disse...

Very nice.

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