quarta-feira, 30 de maio de 2012

Só um relato


Não há muito o que fazer, só o essencial. Erguer a cabeça, olhar para o horizonte e seguir até alcança-lo. Passos podem até ser pequenos, mas uma sequência determinada de passos pode levar um par de pés a lugares inefáveis. Descrer o indescritível é uma tarefa, por vezes, árdua. Chegar ao indescritível é ainda mais difícil.  Não custa tentar.
Toda a paisagem encanta: as árvores, o céu azul com pequenos flocos brancos, a grama pisoteada e, cada metro cúbico de ar que marca presença, mesmo invisível. A natureza das coisas, da vida, do tudo e do nada é incerta e, muitas vezes indescritível. O que se faz é uma tentativa de relatar o que se sente de uma forma próxima ao extremo, por mais fácil que pareça descrever algo assim, como uma emoção ou um acontecimento grande se torna uma tarefa suficientemente difícil para um par de mãos em um sofrido teclado de computador.
Descrevo o que sinto o que vejo e o que penso, mas isso não passa de um mero relato. Quanto à verdade só conhece quem sentiu ou sente o que tenta ser descrito. As meras descrições fazem lembrar algo parecido ou relembrar um momento estranhamente familiar. Isso é bonito, ou melhor, surpreendente. É sim surpreendente perceber que mesmo superficialmente uma simples descrição ou relato de um dado fato são tão íntimos e ao mesmo tempo tão comuns a outras pessoas.
       Vejo beleza nisso, na intimidade e nas várias relações de uma intimidade com a intimidade de outro. Talvez seja um pouco vago ou bobo. Enfim, é o que vejo, os olhos me pertencem assim como a capacidade de transformar uma simples ação em algo a ser descrito e admirado ainda que só o seja por mim.


Raiane.R.Reinell

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