Escrever tudo que vier a cabeça antes que o ônibus
chegue. As pessoas passam olhando seus relógios, todos com pressa por um
motivo: o ônibus vai chegar. Enquanto uns correm outros terão que esperar muito
mais de uma hora para embarcar. Mundinho de opostos, esse.
Enquanto escrevo um filósofo grita em meus ouvidos
cansados de pessoas sem cérebro que falam de mais na aula, mesmo sem ter o que
falar. Cante mais Raul, meu querido. As paranoias e as mona, monalisas dão vida
à correria na rodoviária. A vozinha chata de uma pobre mulher ecoa nos altos
falantes. Pobre de seu marido, peguete ou amante que vai aguentar gemidos e
gritos torturantes!
Viva então à sociedade alternativa! Viva a
desordem, o amor a nos estraçalhar e viva o álcool que vem grandiosamente nos consolar.
Junto com a desordem o texto muda de rumo, assim como as pessoas não param
quietas no mesmo lugar.
Já vejo rostos conhecidos, semblantes bem antigos.
Quero tagarelar, mas não há quem me interesse para conversar. O que interessa
nesse momento é a hora passar. Isso é triste, muito triste. Então o Rauzito
segue cantando em meus ouvidos, como um show particular.
Os ônibus seguem carregando cansados passageiros
com tristezas, alegrias, amores, coceiras e putarias. Das letras no momento
quem escreve sou eu. Isso é muito gratificante. Não que seja, literalmente, do
verso ao poema, mas tudo no fim é uma tremenda putanagem então vou do parágrafo
ao texto em prosa.
Raiane.R.Reinell

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