quarta-feira, 30 de maio de 2012 0 comentários

Só um relato


Não há muito o que fazer, só o essencial. Erguer a cabeça, olhar para o horizonte e seguir até alcança-lo. Passos podem até ser pequenos, mas uma sequência determinada de passos pode levar um par de pés a lugares inefáveis. Descrer o indescritível é uma tarefa, por vezes, árdua. Chegar ao indescritível é ainda mais difícil.  Não custa tentar.
Toda a paisagem encanta: as árvores, o céu azul com pequenos flocos brancos, a grama pisoteada e, cada metro cúbico de ar que marca presença, mesmo invisível. A natureza das coisas, da vida, do tudo e do nada é incerta e, muitas vezes indescritível. O que se faz é uma tentativa de relatar o que se sente de uma forma próxima ao extremo, por mais fácil que pareça descrever algo assim, como uma emoção ou um acontecimento grande se torna uma tarefa suficientemente difícil para um par de mãos em um sofrido teclado de computador.
Descrevo o que sinto o que vejo e o que penso, mas isso não passa de um mero relato. Quanto à verdade só conhece quem sentiu ou sente o que tenta ser descrito. As meras descrições fazem lembrar algo parecido ou relembrar um momento estranhamente familiar. Isso é bonito, ou melhor, surpreendente. É sim surpreendente perceber que mesmo superficialmente uma simples descrição ou relato de um dado fato são tão íntimos e ao mesmo tempo tão comuns a outras pessoas.
       Vejo beleza nisso, na intimidade e nas várias relações de uma intimidade com a intimidade de outro. Talvez seja um pouco vago ou bobo. Enfim, é o que vejo, os olhos me pertencem assim como a capacidade de transformar uma simples ação em algo a ser descrito e admirado ainda que só o seja por mim.


Raiane.R.Reinell
quarta-feira, 23 de maio de 2012 0 comentários

Polêmica dos Tempos.


Forever or never:

      Inove.









Feito conjuntamente por Marcelo Burmann e Wesley Buleriano.






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A folha


Ela me aguarda
...
A folha em branco
Carinhosamente atraente
Pensantemente sexy
Alcoolicamente linda
Literariamente perfeita
Em branco
...
Toda pra mim.
A espera de palavras
Para alegrar lhe a alma
Fazer sorrir os lábios
E brilhar os olhos
Poema ou prosa
Texto ou não texto
Só a espera
Toda em branco
Ou não mais.

Raiane.R.Reinell
segunda-feira, 21 de maio de 2012 0 comentários

Clara ou Lua.


Clara lua.
Clara nua.
Clara sua.




Marcelo Burmann.
domingo, 20 de maio de 2012 0 comentários

Poema do amigo Felipe Sabadini.

Um desdizente bem modesto se expressa com um gesto:
palavreia as palavras censuradas pela dor
e pela pressa de um rei apaixonado, vagabundo
e que não presta.

Palavras com clamor de oprimido a um Deus aborrecido
consternado com feridas, que faz do inferno um ter sorte:
trocar a vida após morte
pela vida não vivida.

A solução inaudita, confusão e esperança, 
a busca pela paz de uma
noite em bonança,
Ao silêncio loquaz, barulho da brisa, branco das cinzas, 
do corpo que jaz da velha criança.

Final sublime, terá dito rei, que dispensa a vida por querer o perdão, 
que espera a morte por 
amor à ilusão: 
encontrará do outro lado seres bem dotados
que pegarão o cu de vocês abrirão outra
vez para mesclar com piroca. 

Mistura que outrora não poderia se fará neste dia:
fé com putaria,religião com alegria. 
Quanto a nós, pobres mortais, o fim que nos resta
é viver não depressa
esperando este dia.


- Felipe Sabadini.
sábado, 19 de maio de 2012 1 comentários

Necrofilia


O romantismo pode ter ido embora,
Alguns românticos permanecem
Embora nem tão firmes na causa,
Mas mesmo assim permanecem.

Julgados,
Sofridos
Assumidos
Caminhando
Sorrindo

Românticos.
Iludidos talvez.
Mas românticos
Na causa,
No peito
E, no efeito.

De efeito,
Embriagados
Literatos
De causa pensante
Talvez, não só românticos.
Ultrarromânticos.

As peripécias de um Álvares permanecem
A taverna é um bar
O vinho é um álcool qualquer
A morte é o fim de um romantismo
Romantismo idealizado
Mas, alguns lutam.
Necrofiliam causas antigas
E o gozo é tão romântico quanto pode ser.

Raiane.R.Reinell 



sexta-feira, 18 de maio de 2012 0 comentários

" Ser gauche na vida"


Quero ser gauche.
Ser esquerda, pelo avesso. 
Fazer esquerdo no lugar de direito. 
Fugir do certo, do fácil. 
Quero desafio.
Ser normal é impossível e ser feliz minha gente, é pra quem tem vontade.
Minha gana, minha sede que não engana.
Felicidade simplesmente.
E lágrimas de alegria.


Rhayza de Mattos

"Vai, Carlos! Ser gauche na vida." - Carlos Drummond de Andrade
terça-feira, 15 de maio de 2012 0 comentários

Lágrimas


Exageros,
Mentiras
Lágrimas
Muitos crocodilos na área...
Sangue
Sangue no álcool.
Branquinha maldita!
Mundo girando...
Branquinha saindo.
Ressaca
De álcool,
De mentira
De verdades
De maldizeres
De problemas,
Ah, problemas
Ressaca de problemas.

Raiane.R.Reinell
segunda-feira, 14 de maio de 2012 0 comentários

O fim

O desejo era grande, 
a saudade era maior.
Foi uma conversa, pouco menos de uma hora.
A hora passou
e o tempo foi maldoso.
Ele é traiçoeiro, traz e leva sem pedir licença.
O coração palpitou, doeu
e fez rolar uma lágrima.

Rhayza de Mattos

sábado, 12 de maio de 2012 0 comentários

Na rodoviária


Escrever tudo que vier a cabeça antes que o ônibus chegue. As pessoas passam olhando seus relógios, todos com pressa por um motivo: o ônibus vai chegar. Enquanto uns correm outros terão que esperar muito mais de uma hora para embarcar. Mundinho de opostos, esse.
Enquanto escrevo um filósofo grita em meus ouvidos cansados de pessoas sem cérebro que falam de mais na aula, mesmo sem ter o que falar. Cante mais Raul, meu querido. As paranoias e as mona, monalisas dão vida à correria na rodoviária. A vozinha chata de uma pobre mulher ecoa nos altos falantes. Pobre de seu marido, peguete ou amante que vai aguentar gemidos e gritos torturantes!
Viva então à sociedade alternativa! Viva a desordem, o amor a nos estraçalhar e viva o álcool que vem grandiosamente nos consolar. Junto com a desordem o texto muda de rumo, assim como as pessoas não param quietas no mesmo lugar.
Já vejo rostos conhecidos, semblantes bem antigos. Quero tagarelar, mas não há quem me interesse para conversar. O que interessa nesse momento é a hora passar. Isso é triste, muito triste. Então o Rauzito segue cantando em meus ouvidos, como um show particular.
Os ônibus seguem carregando cansados passageiros com tristezas, alegrias, amores, coceiras e putarias. Das letras no momento quem escreve sou eu. Isso é muito gratificante. Não que seja, literalmente, do verso ao poema, mas tudo no fim é uma tremenda putanagem então vou do parágrafo ao texto em prosa.

Raiane.R.Reinell
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De um começo ao recomeço

Quero que o tempo passe
e que a vida volte.
Volte para onde o tempo parou, 
volte pro começo de tudo, o começo do mundo.
Para o começo, princípio da vida, um recomeço.
Sem meio e fim. Apenas importa o início.
Quero que a vida seja ou que venha a ser.
Ser fantástica como era,
irritante até que seja, até que volte, que mude.
De um início se construa o fim,
talvez pelo meio, mas que haja um começo
e que não acabe no fim.


Rhayza de Mattos
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O Romantismo


Preciso acabar com essa história de herói, vítima, culpado e o caralho a quarto que acompanha tudo isso. O romantismo acabou, mas o romântico em mim me distrai ao mesmo tempo em que me destrói. Eu e meus clichês. A verdadeira concordância está em comer cu e buceta. Andando as andanças, entre um cigarro e outro, sempre morremos de rir, e até quem não fuma acompanha. Daqui pra frente só me entrego realmente a quem rodar o sete de copas na primeira rodada sem levar o relê. 


Jéssica Cardoso
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A Maré...ou Amar é?

Tarde única, Maresias. Também uma mulher
Tarada, umedecida melhor. Trazendo utópica maré
Toda única, minha. Tocando um miocárdio
 
TUM TUM
TUM TUM
TUM TUM



Wesley Buleriano
terça-feira, 8 de maio de 2012 0 comentários

Maresia de pensamentos


O cheiro do mar impregna o ambiente. As ondas chegam bem perto. A calmaria é aconchegante. Os sons dos carros não chegam a incomodar.
É um vai e vem constante. Os navios seguem a linha do horizonte. Os cabelos seguem a brisa. Sensação envolvente e até viciante.
É preciso descrever o cenário. Areia, mar, céu. Céu em um lindo dégradé. O dia começa a acabar, são quase cinco. Ou, apenas cinco, você escolhe.
Uma tarde propositalmente solitária. Não acho que não. As ondas fazem uma boa companhia. Não conversam comigo, mas deixam-me vagar entre o intervalo de umas e outras ondas.
E, entre esse intervalo tantas coisas acontecem. Um certo olhar circunda toda a obra. A tarde está linda. O silêncio das vozes é grandioso. Só o vai e vem das ondas. Só o vai e vem das ondas. É tudo.
A maré está subindo. A água logo mais chegará onde estou? Talvez sim, talvez não. É relativo. Não vou descobrir. Minha casa me aguarda agora. Deixo o céu em um belo crepúsculo para trás, mas a memória sempre permanecerá.

Raiane.R.Reinell

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Microcontos Bíblicos - Segunda Parte

Moisés era do tipo pirracento, teimoso. Quando não faziam suas vontades, saía por aí, andando sem rumo, deserto a fora...
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José era um rei justo para o Egito, o povo o adorava. Dizia ele: nunca antes na história desse país, tantos egípcios compraram carroças!
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A vida no Jardim do Éden era muito tranqüila. Aos domingos, Eva, Adão e os meninos costumavam comer no MC’Donalds.
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Davi, no ônibus, olhou para Golias e pediu: pode dar o sinal pra mim? Não alcanço essa cordinha!
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Jonas era um dos maiores pescadores do seu tempo. O segredo pra pescar os maiores é a isca, costumava contar.
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Dalila era uma verdadeira fã de carnaval e micareta. Olhava Sansão com abadá e cantava: cabelo raspadinho, estilo Ronaldinho...
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Tomé era um homem muito inteligente e bom com os números. Dizem que era cego.
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Jesus foi o maior homem de todos os tempos. Não fez muito sucesso na NBA.



Wesley Buleriano
 
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