quarta-feira, 7 de novembro de 2012 0 comentários

música


Dura como pedra.
Uma leve melodia muda tudo.
Palavras saem,
Olhos se fecham.
Tec-tec 
tec-tec
Dedos no teclado.

Confusão mental certeira
Confusão mental incerta.

Personalidade ofuscada
Pelo que afinal?
Por uma comovente
Uma comovente melodia.

A música escreve,
Escreve o texto
E não eu.
Eu não.
Só a música.

Raiane.R.Reinell

quinta-feira, 25 de outubro de 2012 0 comentários

Quero-quero


Quero ir embora daqui,
Quero me desfazer em emoções,
Quero - quem sabe apenas - ter um pouco de paz,
Quero tudo, mas não quero nada.

Quero-quero, passarinho.
Quero-quero muitas coisas.
Quero-quero... quero.
Quero-quero bem querer.

Quero, não quero.
Quero muito pouco
Quero, só quero.
Quero sem poder.

Raiane.R.Reinell



sexta-feira, 19 de outubro de 2012 0 comentários

Sorrisos


Ela sorriu
Lindo sorriso
Lábios não tem
Mas aquele sorriso sedutor...
Não é preciso lábios
Seu brilho encantou
Mil pensamentos voaram
Encontraram-se com a dona dos sorrisos
Lua, porque estás tão longe?
Tão longe
Tão perto
Tão grande
Tão pequena
Romântica
Solitária
Autoritária sob as estrelas
Subjugada pelo sol
Enfim,
Uma lua sonhadora
Uma lua pensante
Uma lua inebriante.

Raiane.R.Reinell


sexta-feira, 31 de agosto de 2012 0 comentários

Cenário


E vem a luz da lua,
Iluminando a noite tão bela
E segue a música
Contagiando os desarmados...
E o calendário corre
Fazendo sorrir os com saudade.

A lua se vai,
O dia acontece.
A música para
O encanto se vai
O tempo para
E a saudade não se abstrai.

Rotina de controvérsias
Dilemas complexos
Sorrisos em segundo
Lágrimas no próximo

O cenário vai sendo o mesmo
A história por ora se repete,
Em outras vezes tem novo enredo
E, em todas elas existe algo motivador.
Talvez um grande desastre
Por vezes uma saudade
E paulatinamente um grande amor.

Raiane.R.Reinell


sexta-feira, 24 de agosto de 2012 0 comentários

Precisando




Estou precisando
Preciso de um tempo
Alguns segundos ao menos,
Pra decidir se vou caminhando.

Estou precisando,
Preciso de chuva ,
Preciso do vento
E dos dois, nada estou tendo
Nada de mudança brusca.

Estou precisando,
Precisando
Necessitando
Esperando.

Preciso de algo,
Algo louco
Quero fazer um estrago
Um estragado, macabro,
Tanto quanto bobo.

Raiane.R.Reinell

domingo, 5 de agosto de 2012 0 comentários

Baralho


Fluxo de felicidade inconstante
Correntes de tristeza impróprias.
Raivas sem sentido
Agressividade louca
Versos sem razão
Remédios,
Leituras,
Paisagens
Respiração
Reflexão.
Combustão inapropriada
Sentimentos loucos,
Embaralhados
Um tal baralho
Baralho de sentimentos.

Raiane.R.Reinell
quinta-feira, 12 de julho de 2012 0 comentários

Pensares


Ambiguidade frequente,
O álcool não se faz tão presente
Será doença?
Será inteligência?
Será ?
O que será?
Os versos chegam devagar,
Não são versos.
São pequenos pensares
Pensares transpassados para um papel
Pensares já por vezes pensados
Repetidos,
Entrecortdados

Cortados pela ponte,
Pela minha ponte

As águas correm
O tempo voa
As árvores,
Por ai estão elas,
E, os pensares.
Pensares vagando entre o verde,
Entre o sol e o céu
Entre o sol e a lua
Entre a terra e água
Entre uma cabeça e um papel.

Álcool, onde estás?
Em qualquer lugar,
Menos em meu sistema.
Ele não o vê a um bom tempo.

Pensares entrecortados
Mas certeiros no corte
Sim, certeiros
Fim.
Último corte.
Fim.

Raiane.R.Reinell
domingo, 24 de junho de 2012 0 comentários

Ferver

O sangue quente corre nas veias.
Suor compartilhado.
Paixão desenfreada.
Palpitações, desejo.
Calor.
Sentimento sem sentido,
faz perder os sentidos,
o corpo se perde e ferve.






quarta-feira, 13 de junho de 2012 0 comentários

Versos


Versos feitos,
Versos imperfeitos
Tentar incessante
Busca pela perfeição
Letras do improviso
Palavras do improvável
Coisas sem sentido
Subjetividade incrustada
Escrever para falar
Falar coisas literárias
Ou não,
Só versos
Só do verso ao poema
Sem nenhuma pressão.

Raiane.R.Reinell
quarta-feira, 6 de junho de 2012 0 comentários

Máquina de escrever


Máquina de escrever
Semiautomática

Pensante
Sorridente
Risonha
Satisfeita
Não satisfeita
Contraditória
Angustiada
Cansada
Lutante
Alcoolizada
Defeituosa
Romântica

Só uma mera máquina de escrever.

Raiane.R.Reinell
segunda-feira, 4 de junho de 2012 0 comentários

Os corpos.




Seda pele fina, esparramada
Pela cama, luzidia cortina, pasmo
Gozo derrama.

Languidez dos lábios, furioso
Tesão: pele, corpos, amor
União.

Explícito: sexo implícito.
Ritmo frenético, sexo.
Galgando a plenitude os organismos.
Espaço sideral:
ORGASMO!




Marcelo Burmann.
quarta-feira, 30 de maio de 2012 0 comentários

Só um relato


Não há muito o que fazer, só o essencial. Erguer a cabeça, olhar para o horizonte e seguir até alcança-lo. Passos podem até ser pequenos, mas uma sequência determinada de passos pode levar um par de pés a lugares inefáveis. Descrer o indescritível é uma tarefa, por vezes, árdua. Chegar ao indescritível é ainda mais difícil.  Não custa tentar.
Toda a paisagem encanta: as árvores, o céu azul com pequenos flocos brancos, a grama pisoteada e, cada metro cúbico de ar que marca presença, mesmo invisível. A natureza das coisas, da vida, do tudo e do nada é incerta e, muitas vezes indescritível. O que se faz é uma tentativa de relatar o que se sente de uma forma próxima ao extremo, por mais fácil que pareça descrever algo assim, como uma emoção ou um acontecimento grande se torna uma tarefa suficientemente difícil para um par de mãos em um sofrido teclado de computador.
Descrevo o que sinto o que vejo e o que penso, mas isso não passa de um mero relato. Quanto à verdade só conhece quem sentiu ou sente o que tenta ser descrito. As meras descrições fazem lembrar algo parecido ou relembrar um momento estranhamente familiar. Isso é bonito, ou melhor, surpreendente. É sim surpreendente perceber que mesmo superficialmente uma simples descrição ou relato de um dado fato são tão íntimos e ao mesmo tempo tão comuns a outras pessoas.
       Vejo beleza nisso, na intimidade e nas várias relações de uma intimidade com a intimidade de outro. Talvez seja um pouco vago ou bobo. Enfim, é o que vejo, os olhos me pertencem assim como a capacidade de transformar uma simples ação em algo a ser descrito e admirado ainda que só o seja por mim.


Raiane.R.Reinell
quarta-feira, 23 de maio de 2012 0 comentários

Polêmica dos Tempos.


Forever or never:

      Inove.









Feito conjuntamente por Marcelo Burmann e Wesley Buleriano.






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A folha


Ela me aguarda
...
A folha em branco
Carinhosamente atraente
Pensantemente sexy
Alcoolicamente linda
Literariamente perfeita
Em branco
...
Toda pra mim.
A espera de palavras
Para alegrar lhe a alma
Fazer sorrir os lábios
E brilhar os olhos
Poema ou prosa
Texto ou não texto
Só a espera
Toda em branco
Ou não mais.

Raiane.R.Reinell
segunda-feira, 21 de maio de 2012 0 comentários

Clara ou Lua.


Clara lua.
Clara nua.
Clara sua.




Marcelo Burmann.
domingo, 20 de maio de 2012 0 comentários

Poema do amigo Felipe Sabadini.

Um desdizente bem modesto se expressa com um gesto:
palavreia as palavras censuradas pela dor
e pela pressa de um rei apaixonado, vagabundo
e que não presta.

Palavras com clamor de oprimido a um Deus aborrecido
consternado com feridas, que faz do inferno um ter sorte:
trocar a vida após morte
pela vida não vivida.

A solução inaudita, confusão e esperança, 
a busca pela paz de uma
noite em bonança,
Ao silêncio loquaz, barulho da brisa, branco das cinzas, 
do corpo que jaz da velha criança.

Final sublime, terá dito rei, que dispensa a vida por querer o perdão, 
que espera a morte por 
amor à ilusão: 
encontrará do outro lado seres bem dotados
que pegarão o cu de vocês abrirão outra
vez para mesclar com piroca. 

Mistura que outrora não poderia se fará neste dia:
fé com putaria,religião com alegria. 
Quanto a nós, pobres mortais, o fim que nos resta
é viver não depressa
esperando este dia.


- Felipe Sabadini.
sábado, 19 de maio de 2012 1 comentários

Necrofilia


O romantismo pode ter ido embora,
Alguns românticos permanecem
Embora nem tão firmes na causa,
Mas mesmo assim permanecem.

Julgados,
Sofridos
Assumidos
Caminhando
Sorrindo

Românticos.
Iludidos talvez.
Mas românticos
Na causa,
No peito
E, no efeito.

De efeito,
Embriagados
Literatos
De causa pensante
Talvez, não só românticos.
Ultrarromânticos.

As peripécias de um Álvares permanecem
A taverna é um bar
O vinho é um álcool qualquer
A morte é o fim de um romantismo
Romantismo idealizado
Mas, alguns lutam.
Necrofiliam causas antigas
E o gozo é tão romântico quanto pode ser.

Raiane.R.Reinell 



sexta-feira, 18 de maio de 2012 0 comentários

" Ser gauche na vida"


Quero ser gauche.
Ser esquerda, pelo avesso. 
Fazer esquerdo no lugar de direito. 
Fugir do certo, do fácil. 
Quero desafio.
Ser normal é impossível e ser feliz minha gente, é pra quem tem vontade.
Minha gana, minha sede que não engana.
Felicidade simplesmente.
E lágrimas de alegria.


Rhayza de Mattos

"Vai, Carlos! Ser gauche na vida." - Carlos Drummond de Andrade
terça-feira, 15 de maio de 2012 0 comentários

Lágrimas


Exageros,
Mentiras
Lágrimas
Muitos crocodilos na área...
Sangue
Sangue no álcool.
Branquinha maldita!
Mundo girando...
Branquinha saindo.
Ressaca
De álcool,
De mentira
De verdades
De maldizeres
De problemas,
Ah, problemas
Ressaca de problemas.

Raiane.R.Reinell
segunda-feira, 14 de maio de 2012 0 comentários

O fim

O desejo era grande, 
a saudade era maior.
Foi uma conversa, pouco menos de uma hora.
A hora passou
e o tempo foi maldoso.
Ele é traiçoeiro, traz e leva sem pedir licença.
O coração palpitou, doeu
e fez rolar uma lágrima.

Rhayza de Mattos

sábado, 12 de maio de 2012 0 comentários

Na rodoviária


Escrever tudo que vier a cabeça antes que o ônibus chegue. As pessoas passam olhando seus relógios, todos com pressa por um motivo: o ônibus vai chegar. Enquanto uns correm outros terão que esperar muito mais de uma hora para embarcar. Mundinho de opostos, esse.
Enquanto escrevo um filósofo grita em meus ouvidos cansados de pessoas sem cérebro que falam de mais na aula, mesmo sem ter o que falar. Cante mais Raul, meu querido. As paranoias e as mona, monalisas dão vida à correria na rodoviária. A vozinha chata de uma pobre mulher ecoa nos altos falantes. Pobre de seu marido, peguete ou amante que vai aguentar gemidos e gritos torturantes!
Viva então à sociedade alternativa! Viva a desordem, o amor a nos estraçalhar e viva o álcool que vem grandiosamente nos consolar. Junto com a desordem o texto muda de rumo, assim como as pessoas não param quietas no mesmo lugar.
Já vejo rostos conhecidos, semblantes bem antigos. Quero tagarelar, mas não há quem me interesse para conversar. O que interessa nesse momento é a hora passar. Isso é triste, muito triste. Então o Rauzito segue cantando em meus ouvidos, como um show particular.
Os ônibus seguem carregando cansados passageiros com tristezas, alegrias, amores, coceiras e putarias. Das letras no momento quem escreve sou eu. Isso é muito gratificante. Não que seja, literalmente, do verso ao poema, mas tudo no fim é uma tremenda putanagem então vou do parágrafo ao texto em prosa.

Raiane.R.Reinell
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De um começo ao recomeço

Quero que o tempo passe
e que a vida volte.
Volte para onde o tempo parou, 
volte pro começo de tudo, o começo do mundo.
Para o começo, princípio da vida, um recomeço.
Sem meio e fim. Apenas importa o início.
Quero que a vida seja ou que venha a ser.
Ser fantástica como era,
irritante até que seja, até que volte, que mude.
De um início se construa o fim,
talvez pelo meio, mas que haja um começo
e que não acabe no fim.


Rhayza de Mattos
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O Romantismo


Preciso acabar com essa história de herói, vítima, culpado e o caralho a quarto que acompanha tudo isso. O romantismo acabou, mas o romântico em mim me distrai ao mesmo tempo em que me destrói. Eu e meus clichês. A verdadeira concordância está em comer cu e buceta. Andando as andanças, entre um cigarro e outro, sempre morremos de rir, e até quem não fuma acompanha. Daqui pra frente só me entrego realmente a quem rodar o sete de copas na primeira rodada sem levar o relê. 


Jéssica Cardoso
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A Maré...ou Amar é?

Tarde única, Maresias. Também uma mulher
Tarada, umedecida melhor. Trazendo utópica maré
Toda única, minha. Tocando um miocárdio
 
TUM TUM
TUM TUM
TUM TUM



Wesley Buleriano
terça-feira, 8 de maio de 2012 0 comentários

Maresia de pensamentos


O cheiro do mar impregna o ambiente. As ondas chegam bem perto. A calmaria é aconchegante. Os sons dos carros não chegam a incomodar.
É um vai e vem constante. Os navios seguem a linha do horizonte. Os cabelos seguem a brisa. Sensação envolvente e até viciante.
É preciso descrever o cenário. Areia, mar, céu. Céu em um lindo dégradé. O dia começa a acabar, são quase cinco. Ou, apenas cinco, você escolhe.
Uma tarde propositalmente solitária. Não acho que não. As ondas fazem uma boa companhia. Não conversam comigo, mas deixam-me vagar entre o intervalo de umas e outras ondas.
E, entre esse intervalo tantas coisas acontecem. Um certo olhar circunda toda a obra. A tarde está linda. O silêncio das vozes é grandioso. Só o vai e vem das ondas. Só o vai e vem das ondas. É tudo.
A maré está subindo. A água logo mais chegará onde estou? Talvez sim, talvez não. É relativo. Não vou descobrir. Minha casa me aguarda agora. Deixo o céu em um belo crepúsculo para trás, mas a memória sempre permanecerá.

Raiane.R.Reinell

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Microcontos Bíblicos - Segunda Parte

Moisés era do tipo pirracento, teimoso. Quando não faziam suas vontades, saía por aí, andando sem rumo, deserto a fora...
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José era um rei justo para o Egito, o povo o adorava. Dizia ele: nunca antes na história desse país, tantos egípcios compraram carroças!
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A vida no Jardim do Éden era muito tranqüila. Aos domingos, Eva, Adão e os meninos costumavam comer no MC’Donalds.
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Davi, no ônibus, olhou para Golias e pediu: pode dar o sinal pra mim? Não alcanço essa cordinha!
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Jonas era um dos maiores pescadores do seu tempo. O segredo pra pescar os maiores é a isca, costumava contar.
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Dalila era uma verdadeira fã de carnaval e micareta. Olhava Sansão com abadá e cantava: cabelo raspadinho, estilo Ronaldinho...
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Tomé era um homem muito inteligente e bom com os números. Dizem que era cego.
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Jesus foi o maior homem de todos os tempos. Não fez muito sucesso na NBA.



Wesley Buleriano
quinta-feira, 26 de abril de 2012 0 comentários

Delírios sobre os passos

Passos não atraem ninguém, talvez aplausos encabulem, olhares desafiem, palavras conquistem. Mas passos não são nada além de passos. Passos dados não tem volta, não há como não ter estado em um estado por onde já se passou, não há máquina que faça voltar o tempo, não há borracha que possa apagar.
Passos traem muitos, posso até dizer que passos traem todos. Pois quem nunca foi com muita sede ao pote e se decepcionou. Por quais caminhos você vai com plena certeza de que não ira se arrepender depois. Talvez aplausos sejam injustos, olhares confusos, palavras precipitadas. Mas passos não, passos falsos, em falso, passos traiçoeiros, passos são bem mais cruéis.
Passos são tortuosos, perigosos, maléficos e incapazes. Pois não se desculpam, eles sempre se esquivam te levando pra outro lugar, outra situação, um novo quadro, cena. E nem sempre vão para o melhor ato de uma participação qualquer.
Passos te arrastam, te carregam, te seguem, te cegam, te partem sem volta. Passos não atraem ninguém, mas traem quem estiver disposto a tentar.


Jéssica Cardoso
quarta-feira, 25 de abril de 2012 1 comentários

Elucubração.


E agora no poço 
estás tu a dialogar
com as paredes esparsas e
frias
a fazer peripécias imaginárias.


Permances aí no fundo, ignoto.
Mas é noite, e a insônia
caminha silente a passos
lentos com o tempo.


No escuro não se fala em
sigularidade. Não há alcunha
a ti conceber. 
Tu nem mereces disfarce 
o espetáculo acabou.


Se estás com sede
bebes água num
copo sem fundo.
Se queres dormir
não sabes como.


Um raio cruza o céu.
É o dia que vem
Um mundo de
possibilidades. 
E tu dormes. Dormes
em profundo sonho
sonhando o dia que
não este dia.


Marcelo Burmann

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Serra dos bons pensamentos


A janela mostra muitas coisas. O ar é agradável, a brisa sopra e bagunça meus cabelos. É assim que estou. Sorrindo ao ouvir algo que me fazia chorar. Estranho, muito estranho. É bom. Tenho vontade de sorrir. Gosto disso. O ar, o céu azul e os matinhos verdes me deixam assim, meio bucólica e pensativa. É bom escrever dentro de um ônibus em movimento. O texto ganha movimento. Posso escrever sobre tudo.
Posso escrever sobre as pessoas a minha volta, como por exemplo, o casal sentado ao meu lado. A alguns meses atrás eu poderia estar assim. Não estou. Agora vejo a serra se formando. Vejo as pessoas felizes. Não os invejo. Nem me desfaço deles. Tenho minha própria vida que segue com o ônibus correndo pela pista e deixando os arbustos para trás.
A música acaba e começa outra. A brisa continua gostosa. O nariz entupido também. O sol está gostoso, nem quente de mais e nem de menos. Apenas tocando meu rosto quando a vegetação o permite. Vejo a serra. Sinto o ar. Sinto meu peito inflar-se e sei que é assim que funciona. Estou viva afinal de contas.
O caminho agora é tranquilo, uma amada serra por subir. Amo isso. Amo ir para casa e estar com um sorriso no rosto pronta pra rever quem amo. Passo da ponde, vejo o rio a correr com suas águas.  Agora a serra vem chegando, vejo árvores robustas e vejo o rio lá em baixo.
Serra da boa vista, dos bons pensamentos, das pequenas emoções. Sigo rindo por todo o percurso, é engraçado escrever e sentir o que escrevo. Satisfação em alta. O cheiro da serra me deixa encantada e a visão do vale é linda. Queria tirar uma foto, mas não posso agora. Posso apenas descrever.
Pois bem, a serra segue, ou melhor, eu sigo. Vejo tudo que está lá em baixo, o rio, os pés de café e banana e vejo lá no fundo a pessoa que fui. Agora, vejo a pessoa que sou. Esta segue com o ônibus e vai rindo. Vendo o verde que tanto amo e sentindo os ares de casa chegando. É uma delícia. O sol toca-me o rosto e percebo, estou chegando em casa.
O texto vai ficando grande. Não me importo. O casal ao meu lado segue conversando. É bonito ver o amor, eu já senti isso, ainda sinto. É uma emoção boa. Mas, agora a emoção melhor é ver as árvores ficando para trás e a vida indo para frente. É a vida que segue. Logo logo chegarei em casa. Lerei o que escrevi e sentirei de novo os prazeres de subir a serra. Agora só a música flui. E o sorriso permanece. Sempre vai permanecer.
O ônibus segue despejando passageiros. Ele está lotado, como sempre. E como sempre, vou à janela. Meu pequeno mundo passageiro de muitas viagens. Paro alguns instantes para pensar a vida. Para sentir a música e o vento a tocarem minha alma.
Muitos dias subi a minha serra abraçada com um alguém. Um dia eu subi chorando, chorei todo o percurso. E agora? Agora peso o passado e tenho como resultado um sorriso de calmaria e de vontade. Vontade de viver. De ser quem sou. Talvez esse relato não seja digno de ser lido por outros, mas foi um exercício suficientemente bom para despejar a alma no papel. Uma alma talvez infantil, talvez imatura, talvez de menina, talvez de uma mulher. Ou melhor, uma alma pensante e romancista, um pouco de Álvares de Azevedo e outros comparsas literários. Pequenas influências importantes.
Chego à civilização. Texto pronto ou não. Esse é o fim. Fim somente enquanto eu não lê-lo de novo e começar a história novamente. Ciclo viciante e apaixonante.


Raiane.R.Reinell
terça-feira, 24 de abril de 2012 1 comentários

Um Uísque e Uma Puta


Que seja quente.             E traga gelo.
Que não entorne.             Me torne vil.
Que me aqueça.               Que me faça suar.
Que me enlouqueça.           Que me deixe louco.
Que tenha sabor.             Não importa o preço.
18 anos.                     Que me embriague.
Que me faça cair.            Que me deixe caído.
Que me traga a felicidade.   Que me trague um cigarro.
Que me acompanhe no jogo.    Que me faça um jogo.
Que acabe e me esqueça.      Que me faça esquecer.



Wesley Buleriano.
 
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