Eu queria mesmo era chorar. Mas um choro
sem compromisso, bem quietinho. Não me interessa o que
não tenho, nem o que tenho. Por isso choro.
Choro paciente:
primeiro uma lágrima verte, toda lânguida;
seguem-se outras.
E, então, acabo me animando
com o meu tímido pranto.
Desfaço o pranto pra poder pensar na vida.
Encontro dois caminhos no meu pensamento recôndito:
o que tenho e o que não tenho.
Bem pragmático, vou pensando na amada.
Olha como são lindos os
cabelos, que de leve oscilam recobrem os seios.
Em seguida me desconforto;
A amada vai se desvanecendo
aos poucos.
Noto uma ausência em mim.
Penso logo o que tenho-
amigos, casa, carro, família et cetera-
e não sendo pragmático, deixo isso de lado.
Não posso, não quero e nem devo pensar.
Uma lágrima molha o rosto, bem
tímida;
Vou deixar o meu pensar de lado
pra ver se me animo
pranteando.
Você sorria de lá, eu me calava de cá.
As palavras eram todas plumas: cabelos, o teu corpo, meu
corpo. O corpo.
Você sorri, e eu te afago;
você se cala, eu me calo.
Insistente, volto a te enlaçar: os meus braços, a tua mão;
o teu cabelo e a tua nuca: a língua, o pescoço, a boca, o
cheiro e o olhar:
você sorri, e eu te abraço
- palavras sussurradas, eu me calo.
você sorri, e eu te abraço
- palavras sussurradas, eu me calo.
Volvo o olhar em cada
fragmento; lanço a língua e você me alcança: mãos, os corpos, o pescoço, o
cheiro;
e você freme e
estremece;
e eu me entrego
e te abraço;
a língua, os peitos, o teu colo;
e você geme, se debate, me arranha, se desfaz
- lumina in lacrimas, eu me calo.
e você geme, se debate, me arranha, se desfaz
- lumina in lacrimas, eu me calo.
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