quarta-feira, 16 de janeiro de 2013 0 comentários

Poeta, poetinha ou Vinicinho.

Seja alguma coisa assim:
Em parte, obra de arte
Em parte, obra pra mim.

Em parte, obra divina:
Mão, peitos, costela
Na outra, Alencar- Aurélia.

Seja qualquer coisa:
Maja de Goya, taitianas do Gauguin.
Uma parte pode fugir à guisa
E a outra voltar pra mim.

Brincos da rainha ou um baluarte
Seja qualquer coisinha:
Música do Chico ou Jobim- qualquer arte.
Mas, lembrar-te, outra parte é só minha.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013 0 comentários

Conversinha de Putinha, de Welton Pinto Vieira.

Ecos intrometidos a resvalarem pelos volúveis e leves dedos de sua língua ferina, maldita, corrosiva. Amor moribundo a deixar marcas em carne enrijecida pelo ressentimento intragável a permanecer em estômago pusilânime, em espírito pífio, servo de paixões, de signos que o escarram como covarde canalha, escroto, ignóbil. A sua verdade no fel de devassidão de lábios a espancarem seu espírito, calejado pelas farpas de suas mentiras adocicadas pelo amargor de seus lindos olhos verdes, a entoarem versos trôpegos, densos a se esvaírem por linhas leves, frouxas, fluídas em seu complô silencioso, em sua trama enigmática, lisa, imperceptível... 
Conversinha de putinha, de merdinha, a morder os cotovelos pelas farpas que esfacelam suas vísceras mais intimas, sua mágoa mais sincera, sua vaidade mais arredia a se enovelar pelas pistas que se perdem pelos discursos de sua carne a se endurecer como pinto mole sem vida, sem tesão por uma bucetinha úmida, salgadinha. Corpo a padecer pelo gume infalível de navalha vertiginosa, aguda, traiçoeira, porém bela e fascinante em seus cortes de superfície que maquiam penetrantes pulsões silentes, discretas. Sua estupidez é dispendiosa, sua carne mais hermética, refém do reflexo pretérito, pois seu cu cada vez mais violado, arrombado pelo toque sádico e irremediável de seu beijo.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013 0 comentários

Ode aos românticos.


Vento alísio, ó vento trópico
Sois testemunho deste desdizente
Que caminhou plumas e prantos
Que aos deuses foi buscar
Um tanto quanto jurar
Amores eternamente.

Amigo de todas as dores
Orai por mim, meus amores
Que o meu canto fúnebre
Não morra no mar. 

Furioso, diz o poeta romântico
Rompendo seu fardo:
-"É martírio nosso, algo nada sagrado
Se vem à terra para sofrer
Lamentar amores perdidos
Que o próximo romântico seja crucificado."
 
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